«Guerra humanitária» <br> e «danos colaterais»
Cerca de 32 civis, incluindo seis crianças, estarão entre as vítimas dos bombardeamentos dos EUA na Síria a pretexto do combate ao Estado Islâmico, força terrorista até aqui apoiada pelo imperialismo, que mantém Kobane a ferro e fogo.
Pentágono confirma intensificação de bombardeamentos
Os números foram divulgados terça-feira, 21, pelo Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), organização com sede em Londres que há mais de três anos difunde a campanha com o objectivo de derrubar o governo liderado por Bachar al-Assad, e que dias depois, baseando-se num vídeo atribuído aos «rebeldes», acusou as forças armadas sírias de matarem pelo menos 25 civis em bombardeamentos na província de Homs.
É por isso significativo que uma estrutura com tal historial e características se refira às vítimas dos ataques aéreos desencadeados pelos norte-americanos na Síria, notando que apesar da maioria ser de membros do Estado Islâmico (EI), sobretudo estrangeiros, entre os mortos contabilizados desde 23 de Setembro estarão pelo menos 32 civis, incluindo seis crianças.
«Danos colaterais» de mais uma «guerra humanitária» em cuja existência não é difícil de acreditar, sobretudo quando o Pentágono confirma a intensificação dos bombardeamentos, isto a propósito da factura que o povo dos EUA irá pagar a título de mais uma intervenção a pretexto do combate ao terrorismo, a qual, até ao momento, custa oficialmente 6,5 milhões de dólares por dia, mas que pode ascender, segundo cálculos do Centro de Avaliação Estratégica e Orçamental, a 3,8 mil milhões de dólares por ano.
Combate ao terrorismo desta feita personificado no EI, que os EUA e os seus aliados financiaram abundantemente, admitiu, a semana passada, em entrevista à CNN, o multimilionário e membro da casa real saudita Alwaleed bin Talal, mas que de acordo com as informações mais recentes não está a alcançar o objectivo propagandeado.
Na segunda-feira, o EI divulgou um vídeo com o fotojornalista John Cantlie para provar que não houve recuo em Kobane. O britânico cativo desde 2012 afirma que os jihadistas permanecem nos bairros do Leste e Sul da cidade sitiada há semanas, o que, a ser verdade, desmente as notícias que davam conta da expulsão dos mujahedin.
Desmentidas foram, igualmente, a participação de soldados curdos provenientes do Iraque nos combates em Kobane, bem como a aceitação por parte do governo da cidade síria da ajuda de membros do chamado Exército Sírio Livre (ESL). Sexta-feira, um alto responsável curdo-sírio de Kobane e membro do Partido da União Democrática negou as declarações do presidente turco, segundo o qual 1300 combatentes do ESL participavam já na defesa do território.
Recep Erdogan pretendia, com esta afirmação, sacudir as críticas pela actuação da Turquia no alegado combate ao EI, bem como a fúria dos curdos que habitam na Turquia e têm sido impedidos de ajudarem os compatriotas do outro lado da fronteira.